terça-feira, 8 de novembro de 2011

The Big End

Ouve-se o resfolgar de um Cavalo.

Começou.

O fogo foge do chão e esconde-se nas nuvens;
Zéfiro e todos os are agitam-se,
E com Posseidon trocam lugares;
Gaia fende-se,
Nuvens de fumo e vapores sobem delas.

Começou a Conquista sobre o Mundo.


Vem alto, de aspecto nobre e grande porte, Branco brilhante e de respeito;
Seguido de uma Chama enérgica e berrante,
Que faz o Céu e os Infernos tremer e mexer.
Abrindo e fechando ravinas e fendas, e fendas e ravinas.

Assim se ouve o som dos cascos em terra, pedra e magma,
O som do ferro quente sobre ferro quente,
Como se David lutasse contra um titã, maior que Golias,
Acompanhado de todos os povos do mundo para derrotar o grande gigante.
O cheiro a carne queimada, a mofo e a cinzas,
Num Inferno abafado e sufocante, pior que o de Hades.
Vê-se manchas vermelhas por todo o lado deste campo de batalha.

O Final começou antes do inicio desta Guerra.


Aí vem, Negro, esquelético e subnutrido,
Devagar e esfaimado,
Com tal frágil aspecto que teme-se que se parta e se desfaça.

Os gemidos e apelos que ecoam na atmosfera,
Ouvem-se em todo e qualquer canto do planeta,
Como se nada mais fosse que uma caixa de madeira vazia.
Murmúrios de lamento e berros de desespero,
Acompanhados dum cheiro de alimentos pútridos, e sugidade.
As Águas escoaram para dentro das fendas,
Já não serve para lavar a Porcaria que cobre o Planeta.

A Fome inundou a Existência.


De repente:
Silêncio,
Aí vem, de cavalgar Elegante, Fantasmagórico,
Suave e Aterrador,
Como a cor Desfalecida que traz.
Tão doce para toda aquela tormenta,
Ela dará o Descanso do qual tanto é conhecida e temida.

Só resta um cheiro pútrido e um silêncio devastador,
Como se tudo parasse para ver o Fim passar-lhes à frente,
Sem dó nem piedade.
O Mundo paralisou.

A Morte passeia no seu jardim seco.


As fendas desfazem-se,
E misturam-se com as Águas e com os Ares,
E com o Fogo e com o resto da Terra.
Nem Deuses se podem salvar.
O cheiro de carne queimada junta-se com o cheiro pútrido,
E com o cheiro do ferro e do sangue...
O Mundo mistura-se consigo mesmo,
E com os outros planetas, e com as estrelas,
E com as luas, e com os meteoros e meteoritos.
Estamos no Fim do Mundo e ninguém pode escapar.


5.5.10

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